Mostrando postagens com marcador catolicismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador catolicismo. Mostrar todas as postagens

9.8.15

Vaticano II: Hermenêutica da continuidade ou da ruptura

Prof. Alberto Zucchi e Robson Nascimento, da Associação Cultural Montfort, respondem a perguntas sobre a hermenêutica da continuidade ou da ruptura, na análise do Vaticano II - categorias lançadas por Bento XVI em seu Discurso à Cúria de 22 de dezembro de 2005.

31.7.15

Se eu não fosse católico...

Se eu não fosse católico e estivesse procurando a verdadeira igreja no mundo de hoje, eu iria em busca da única igreja que não se dá muito bem com o mundo. Em outras palavras, eu procuraria uma igreja que o mundo odiasse. Minha razão para fazer isso seria que, se Cristo ainda está presente em qualquer uma das igrejas do mundo de hoje, Ele ainda deve ser odiado como o era quando estava na terra, vivendo na carne.

Se você tiver que encontrar Cristo hoje, então procure uma igreja que não se dá bem com o mundo. Procure uma igreja que é odiada pelo mundo, como Cristo foi odiado pelo mundo. Procure pela igreja que é acusada de estar desatualizada com os tempos modernos, como Nosso Senhor foi acusado de ser ignorante e nunca ter aprendido. Procure pela igreja que os homens de hoje zombam e acusam de ser socialmente inferior, assim como zombaram de Nosso Senhor porque Ele veio de Nazaré. Procure pela igreja que é acusada de estar com o diabo, assim como Nosso Senhor foi acusado de estar possuído por Belzebu, o príncipe dos demônios.

Procure a igreja que em tempos de intolerância (contra a sã doutrina), os homens dizem que deve ser destruída em nome de Deus, do mesmo modo que os que crucificaram Cristo julgavam estar prestando serviço a Deus.

Procure a igreja que o mundo rejeita porque ela se proclama infalível, pois foi pela mesma razão que Pilatos rejeitou Cristo: por Ele ter se proclamado a si mesmo a verdade. Procure a igreja que é rejeitada pelo mundo, assim como Nosso Senhor foi rejeitado pelos homens. Procure a igreja que em meio às confusões de opiniões conflitantes, seus membros a amam do mesmo modo como amam a Cristo e respeitem sua voz, como a voz do seu fundador.

E então você começará a suspeitar que se essa igreja é impopular com o espírito do mundo é porque ela não pertence a esse mundo e uma vez que pertence a outro mundo, ela será infinitamente amada e infinitamente odiada, como foi o próprio Cristo. Pois só aquilo que é de origem divina pode ser infinitamente odiado e infinitamente amado. Portanto, essa igreja é divina.

Arcebispo Fulton J. Sheen. Retirado de Fratres in unum.com

9.3.15

A liberdade

"Irmãos, vocês foram chamados para serem livres. Que essa liberdade, porém, não se torne desculpa para vocês viverem satisfazendo os instintos egoístas. Pelo contrário, disponham-se a serviço uns dos outros através do amor" (Gálatas 5:13).

A liberdade sempre foi o grande sonho da humanidade, mas principalmente na época moderna. 

Martinho Lutero (líder da Reforma Protestante) inspirou-se neste texto da Epístola aos Gálatas e a conclusão foi de que a regra monástica, a hierarquia e o magistério lhe pareciam como um julgo de escravidão do qual era preciso se libertar.

Posteriormente, o período do iluminismo foi totalmente guiado por este desejo de liberdade, que se julgava ter finalmente alcançado. Mas também o marxismo se apresentou como estrada em direção à liberdade.

O que se defende não é a liberdade, mas o libertinismo. O eu absoluto, que não depende de nada e nem de ninguém, que é livre para fazer tudo o que quiser. Isto é a degradação do homem, não é a conquista da liberdade: o libertinismo não é liberdade, é antes a falência da liberdade.

São Paulo ainda acrescentou "[...] disponham-se a serviço uns dos outros através do amor". Isto é, a liberdade se realiza paradoxalmente no servir. Nós nos tornamos livres, se nos tornamos servos uns dos outros. Paulo coloca todo o problema da liberdade na luz da verdade do homem. Uma vez que o homem não é um absoluto, quase como se o eu pudesse isolar-se e comportar-se somente conforme a própria vontade. É contra a verdade do nosso ser. 

A nossa verdade é que, antes de tudo, somos criaturas de Deus e vivemos na relação com o Criador. Somos seres relacionais. Somente aceitando esta nossa relacionalidade entramos na verdade, de outro modo, caímos na mentira e nela, ao fim, nos destruímos.

Somos criaturas, portanto dependentes do Criador. No período do iluminismo, isto aparecia como uma dependência da qual era necessário libertar-se. Na realidade, porém, dependência fatal seria somente se este Deus Criador fosse um tirano, não um ser bom, somente se fosse como são os tiranos humanos. 

Mas a relacionalidade criatural também implica num segundo tipo de relação. Estamos em relação com Deus, mas juntamente com isso, como família humana, estamos também em relação um com o outro. 

Este é outro ponto de grande importância. Somente aceitando o outro, aceitando também a aparente limitação que deriva para a minha liberdade do respeito pela do outro, somente inserindo-me na rede de dependências que nos faz uma família única, estou em caminho para a libertação comum.

Contudo, qual é a medida da participação da liberdade? O homem precisa de ordem e de direito, para que possa assim realizar-se a sua liberdade, que é uma liberdade vivida em comum. Como podemos achar esta ordem justa, na qual ninguém seja oprimido, mas cada um possa dar a sua contribuição para formar esta espécie de concerto das liberdades? Se não há uma verdade comum do homem tal qual aparece na visão de Deus, permanece somente o positivismo, e se tem a impressão de algo imposto. Daí, essa rebelião contra a ordem e o direito como se se tratasse de uma escravidão.

Mas se podemos encontrar a ordem do Criador na nossa natureza, a ordem da verdade que dá a cada um o seu lugar, ordem e direito podem ser exatamente os instrumentos da liberdade contra a escravidão do egoísmo. Assim, a primeira realidade a respeitar, portanto, é a verdade: liberdade contra a verdade não é liberdade. Servir um ao outro cria o espaço comum da liberdade.

Portanto, sem a verdade não há ordem e nem direito, sem ordem e sem direito, não há verdadeira liberdade, tornamo-nos ao invés de homens livres, escravos de nossas paixões, buscando apenas o prazer próprio, longe do serviço para com os irmãos.

Adaptação de Montfort

1.3.15

A verdade

"Se vocês guardarem a minha palavra, vocês de fato serão meus discípulos; conhecerão a verdade, e a verdade libertará vocês" (João 8:32).

Nos dias de hoje, o que mais se escuta é a afirmação "a verdade não existe". Se diz que cada um tem a sua opinião, que não existe verdade e cada um passa a agir de acordo com as próprias convicções.

Entretanto, a verdade é objetiva e não subjetiva. A verdade depende do objeto ou da realidade e não do sujeito. É o objeto ou a realidade que produz a ideia e não a ideia que produz o objeto.

Sendo assim, a verdade é a adequação da ideia ao objeto, é o objeto que define a ideia. A verdade é captada por nossa inteligência.

No entanto, para o mundo atual é o sujeito que produz a realidade. Imagine que você resolveu pegar carona com um amigo. Porém, ele entra na contramão, vem um caminhão na direção de vocês. Você avisa o seu amigo, mas ele afirma que não vê o caminhão, pois o caminhão na opinião dele não existe e continua seguindo na contramão... Veja bem, não é a nossa ideia que cria o caminhão. Ele não depende da nossa opinião, continua existindo apesar daquilo que achamos sobre ele.

Se não temos uma ideia comum baseada no ser concreto, nós vivemos num mundo de sonhos, cada um no seu sonho. O que torna impossível qualquer diálogo. Só se pode conversar, jogar xadrez ou futebol se temos a mesma ideia retirada dos objetos.

Tal subjetivismo teve início com o livre-exame da bíblia de Martinho Lutero (líder da Reforma Protestante), que consistia em cada um ler a bíblia e fazer sua própria interpretação. O idealismo alemão (Fichte, Schelling e Hegel) passou da bíblia para o mundo, passando a interpretar também a realidade cada um a sua maneira.

Concluímos com uma citação da encíclica Sapientiae Christianae, do papa Leão XIII:

"Recuar diante do inimigo, ou calar-se, quando de toda parte se ergue tanto alarido contra a verdade, é próprio do homem covarde ou de quem vacila no fundamento de sua crença. Qualquer destas coisas é vergonhosa em si; é injuriosa a Deus; é incompatível com a salvação tanto dos indivíduos como da sociedade e só é vantajosa aos inimigos da fé".
 renata massa